Grupo aposta em novas marcas, relevância local e consumidores jovens para acelerar vendas e ganhar quota nos principais mercados globais até 2030.
A Estée Lauder Companies está a acelerar a sua estratégia de crescimento global com foco na criação de novas marcas, na conquista de consumidores mais jovens e na adaptação do seu portefólio às especificidades culturais de cada mercado. A visão foi apresentada pelo diretor executivo do grupo, Stéphane de La Faverie, durante a conferência Reuters NEXT, realizada em Nova Iorque.
Segundo o responsável, a empresa identifica a classe média emergente como um dos principais motores de crescimento da indústria da beleza na próxima década, com particular relevância até 2030. Nesse contexto, a Estée Lauder procura reforçar a sua presença nas Américas e em mercados emergentes, sem descurar a China, apesar da recente contenção do consumo naquele país.
A estratégia passa por um forte enfoque na chamada “relevância local”. Embora as marcas globais do grupo — como Estée Lauder, Clinique e MAC — mantenham uma identidade visual consistente, as iniciativas de marketing, comunicação e ativação variam significativamente entre regiões como Europa, China e Índia. Como parte dessa abordagem, o grupo realizou investimentos minoritários em marcas de beleza locais na China, no México e na Índia.
No segmento de cuidados de pele, a marca The Ordinary tem registado uma adesão crescente junto da Geração Z, beneficiando de uma proposta de valor acessível, com preços que variam entre os 9 e os 34 dólares. Em contraste, o portefólio de fragrâncias premium do grupo — que inclui marcas históricas como Tom Ford — posiciona-se em faixas de preço mais elevadas, com frascos a partir de 255 dólares.
Desde que Stéphane de La Faverie assumiu a liderança da empresa no início do ano, as ações da Estée Lauder registaram uma valorização de cerca de 37%, refletindo a confiança dos investidores na estratégia de recuperação e crescimento.
A marca Tom Ford, adquirida em 2023 naquela que foi a maior operação da história do grupo, tem apresentado um desempenho robusto nos últimos trimestres, impulsionado sobretudo pelo crescimento das categorias de perfumes e maquilhagem na Europa e na Ásia.
Nos Estados Unidos, em pleno período de compras de fim de ano, o consumo tem-se mantido resiliente, segundo o executivo. La Faverie descreveu esta fase como o momento mais crítico para o setor da beleza, comparando-a ao “Super Bowl” da indústria — um ciclo que se inicia com celebrações como o Diwali, na Índia, e se estende pelos principais eventos comerciais globais do último trimestre.