Estudo nacional revela desafios e percepções sobre a dermatologia no Brasil: um em cada quatro brasileiros não sabe que o dermatologista é médico, e apenas 12% foram ao especialista no último ano
No Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro de 2025, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com a divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil, lança o dossiê “Brasil à Flor da Pele”. O estudo investiga os hábitos de cuidado com a pele da população brasileira e destaca a importância da dermatologia para a saúde, autoestima e bem-estar.
A iniciativa reforça a necessidade de ampliar o acesso à especialidade que cuida da pele, maior órgão do corpo humano. De acordo com o levantamento, a renda é um forte preditor de acesso, já que as classes A e B (69% e 66%, respectivamente) apresentam taxas significativamente maiores de acesso à especialidade do que as classes C (46%) e D/E (32%).
O estudo, realizado pelo Instituto Datafolha em 136 municípios de todas as regiões do país, traz dados inéditos e mostra um Brasil atento, mas ainda distante do cuidado especializado. O levantamento aponta que 1 em cada 4 pessoas não sabe que o dermatologista é médico e apenas 12% dos brasileiros se consultaram com um médico dermatologista no último ano. A iniciativa também visa orientar a população sobre os riscos de se consultar com profissionais não habilitados. Afinal, nem todo “doutor” é médico e entender essa distinção é fundamental para a segurança dos pacientes.
“Precisa estar muito claro para a população que o dermatologista é médico. O cuidado com a pele vai muito além da estética: envolve saúde, diagnóstico e tratamento de doenças. No entanto, ainda vemos muitas pessoas sendo atendidas por profissionais sem formação em medicina, o que coloca vidas em risco. Nosso papel como entidade médica é alertar: sempre verifique se o profissional é médico, com CRM ativo, ou seja, se tem o registro no Conselho Regional de Medicina e Registro de
Qualificação de Especialista (RQE). Essa é uma das mensagens centrais que queremos levar à sociedade neste 18 de outubro com o lançamento deste Dossiê, diz o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, 70% nunca passaram por atendimento dermatológico, mesmo sendo o grupo mais afetado por acne e suas consequências emocionais. Outro dado relevante mostra que 86% entendem que problemas dermatológicos devem ser tratados por um especialista, enquanto 43% raramente observam pele, cabelos e unhas em busca de sinais de doença. Entre os homens, apenas 37% já consultaram um dermatologista, contra 55% das mulheres. O dado também mostra que 58% das pessoas brancas já foram a uma consulta, contra 41% das pessoas negras.
As conclusões reforçam a importância da informação científica confiável e da valorização do dermatologista como referência médica em saúde pública, especialmente em um cenário onde 54% da população nunca teve acesso à especialidade.
Um movimento pela saúde da pele
“O dossiê Brasil à Flor da Pele é um marco porque transforma dados em direção. Pela primeira vez, conseguimos mapear como a desigualdade de acesso e a desinformação impactam a saúde da pele no Brasil. Esses números nos convocam a agir não apenas como indústria, mas como agentes de transformação social. Cuidar da pele é cuidar da saúde, da dignidade e da autoconfiança das pessoas”, afirma Hanane Saidi, Diretora Geral da divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil.
Promover uma dermatologia mais diversa e acessível também passa por fortalecer a produção científica sobre grupos historicamente invisibilizados. ‘’No Brasil, atuamos há 25 anos ao lado da comunidade médica. Considerando que o nosso país é um dos mais diversos do mundo em tipos de pele e cabelo, lideramos frentes como o Dermatologia Inclusiva, que incentiva financeiramente pesquisas que tragam respostas às realidades brasileiras. Reconhecer essa pluralidade e investir em ciência local é o que nos permite inovar com responsabilidade e colocar a dermatologia a serviço de todos os brasileiros’’, complementa.
Procedimentos invasivos exigem preparo médico e atenção da população
Embora cuidados e doenças da pele sejam as atribuições mais conhecidas da prática dermatológica (86%), aproximadamente 50% da população ainda desconhece que o dermatologista também realiza cirurgias na pele e trata de doenças capilares, além de cuidar das unhas e mucosas na sua rotina de atendimento a pacientes.
Para Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD, é fundamental conscientizar a população sobre os riscos envolvidos em procedimentos invasivos.
“Preenchimentos, toxina botulínica, lasers, peelings profundos e bioestimuladores, apesar de não serem cirurgias, são procedimentos invasivos que envolvem riscos reais. Quando mal indicados ou realizados por pessoas sem formação médica, podem causar consequências graves e permanentes ou até mesmo levar a óbito caso não sejam