Prêmio reconhece projetos que viabilizam o fim de testes toxicológicos em animais
Dois pesquisadores brasileiros estão entre os vencedores do Lush Prize 2017, um concurso internacional que premia projetos científicos que viabilizam o fim de testes toxicológicos em animais. Uma prática combatida por defensores dos direitos animais, mas que ainda é praticada na ciência e em testes para o desenvolvimento de cosméticos e remédios no Brasil.
Mais de 115 milhões de animais são utilizados como cobaias em laboratórios em todo o mundo, segundo um relatório da HSI (Humane Society Internacional). O número, no entanto, tende a ser ainda maior, como aponta Karl Bygrave, diretor da Lush –empresa britânica de cosméticos– e responsável pelo Lush Prize.
“Algumas das grandes companhias que realizam estes testes, como as dos EUA, não publicam nenhuma informação. Também não há números na China (…) e em alguns países da Europa”, relata Bygrave.
Na União Europeia, os testes de cosméticos em animais são proibidos desde 2009 e a venda dos produtos testados em bichinhos foi proibida a partir de março de 2013. Israel também tem uma legislação similar. De acordo com um levantamento da HSI, a proibição também tem sido considerada pela Índia e pela Coreia do Sul.
Já no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 2015 uma resolução que reconhece procedimentos alternativos á no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 2015 uma resolução que reconhece procedimentos alternativos às técnicas que até agora se valem de animais para testar o efeito e a segurança de determinados produtos. Métodos que a partir de setembro de 2019 estarão proibidos no país.
Pesquisas brasileiras premiadas
Com o desenvolvimento de modelos de pele in vitro criados a partir de impressão 3D, a pesquisadora Carolina M. Catarino se destacou entre os mais de 66 finalistas da premiação.
A biotecnóloga conta que sempre teve dificuldade em conduzir pesquisas envolvendo animais e abraçou a causa contra a metodologia quando começou a estagiar em um banco de pele. Agora no doutorado, no Instituto Politécnico Rensselaer (EUA) como bolsista do programa brasileiro Ciência Sem Fronteiras, ela desenvolveu uma pele melhorada que pode ser usada em testes.
“É uma melhoria dos modelos atuais, com a inclusão de uma estrutura de pele que inclui não apenas as estruturas da derme e da epiderme, mas também o folículo capilar”, afirma Catarino.
Outro brasileiro reconhecido pela organização do concurso foi o estudante de doutorado da UFG (Universidade Federal de Goiás) Renato Ivan de Ávila Marcelino, que há dez anos se dedica a estratégias alternativas ao uso de testes em animais.
Marcelino desenvolveu um mapa molecular capaz de determinar se uma substância pode ou não causar alergia. “Indicação realizada a partir de três parâmetros: a reação das proteínas da pele, a substancia ativa do queratinócito [uma das principais células da pele] e a ativação de células dendríticas”, explica ele, que também é bolsista do Ciência Sem Fronteiras e tem realizado suas pesquisas na Universidade de Lund, na Suécia.
Os dois brasileiros ganharam 10 mil libras esterlinas (cerca de R$ 43 mil) cada. Verba que, segundo eles, vai possibilitar os avanços de suas pesquisas.
Fonte: Uol



