Gustavo Dieamant e Fabiana Laranjeira detalham as mudanças no acorde-assinatura de Floratta e revelam suas apostas em tendências olfativas
Por Estela Mendonça
O Boticário acaba de trazer mais uma inovação para o mercado de perfumaria, com o lançamento de Floratta Rose Bouquet e do novo acorde-assinatura de Floratta, a partir do estudo de rosas brasileiras e testes olfativos com gardênias, culminando em uma combinação que representa o DNA da marca, utilizando pela primeira vez a técnica proprietária Green In®, que permitiu capturar a essência natural e fresca das flores.
A técnica Green In® é baseada no método Headspace (microextração em fase sólida), que captura moléculas diretamente das flores sem danificá-las, combinando análise molecular e sustentabilidade para criar fragrâncias mais fiéis à natureza. O processo envolve análise direta das moléculas florais, mapeamento olfativo e reprodução precisa dos acordes por meio do chamado nariz digital, ferramenta que já contribuiu na criação de mais de 100 fragrâncias da marca desde 2019.
Em entrevista ao portal Cosmetic Innovation, Gustavo Dieamant, diretor de P&D do Grupo Boticário, e Fabiana Laranjeira, diretora da P&D de fragrâncias finas, desodorantes e mercados internacionais, falaram sobre a criação do acorde-assinatura de Floratta e as tendências em perfumaria.
Considerando que muitas consumidoras são resistentes a mudanças em suas fragrâncias, como foi possível modernizar o acorde assinatura de Floratta sem renunciar às características que conquistaram as consumidoras ao longo tempo?

Gustavo Dieamant – Eu nem diria que é mais moderno ou menos moderno. Quando trazemos algo novo, isso está mais conectado com aquilo que está acontecendo no mundo e o mundo está caminhando para um floral mais fresco, mais de segunda pele. Se a gente se colocar como consumidor, quero cheirar algo novo, quero acompanhar as novidades e vou comprar, mas sou fiel a alguns hedônicos que tenho. A consumidora de Floratta é assim. A marca Floratta entrega flor e ela é moderna naquele tempo em que foi lançada. Floratta Blue, por exemplo, é um vencedor, que tem a flororidade, mas tem o abraço do musk e o conforto do azul. Ele continua ranqueando, continua muito forte. Aí, você me pergunta: Ele está no pico da tendência? Não, mas tem seus consumidores fiéis. Ele continua entre os top 3 de Floratta. Quando a gente traz Rose Bouquet, traz uma assinatura nova e não vai mexer nas outras, justamente por conta de que a consumidora conhece mais do que a gente daquela fragrância. É impressionante que qualquer coisa que a gente é tente modernizar ou, às vezes, fazer uma atualização regulatória, tem que testar com ela. Em Malbec, fizemos 180 retrabalhos. Quando a gente traz esse DNA, vamos inserir a partir daqui.
A rosa é uma tendência?
Gustavo – A rosa sempre foi. A rosa é super contemporânea. É o ingrediente mais usado na perfumaria. Agora, ela é mais tendência por conta da expansão dos ingredientes do Oriente Médio. Eles trabalham rosa com oud, que é um ingrediente nobre da perfumaria árabe. Essa combinação está muito em alta e eleva a rosa. Vou dar um exemplo de dentro de casa: a gente não vence fazer Elysée, uma marca que trabalha muito com rosa Chipre, porque há uma busca muito grande, mesmo sem comunicar, porque é um cheiro muito característico de rosa.





