Em parceria com a Universidade de Oxford, a empresa desenvolve índice que mede como a saúde e satisfação dos funcionários refletem na performance organizacional.
A Natura avança em sua trajetória de liderança regenerativa com a criação de um modelo científico capaz de mensurar o impacto do bem-estar dos colaboradores sobre os resultados de negócio. Em parceria com Jan-Emmanuel De Neve, pesquisador da Universidade de Oxford especializado em felicidade e bem-estar corporativo, a companhia desenvolverá um índice inovador, o primeiro do tipo aplicado na América Latina.
A iniciativa será implementada inicialmente no Brasil, México e Argentina, com apoio da startup MindDash, e busca transformar o bem-estar em um indicador estratégico mensurável. “Nosso objetivo é traduzir o propósito do bem-estar em ciência”, explica Paula Benevides, vice-presidente de Pessoas, Cultura e Organização da Natura. A proposta vai além do cuidado individual, correlacionando o ambiente de trabalho e as condições organizacionais à performance da empresa.
O modelo criado por De Neve já é utilizado por companhias como Lego, HSBC e Indeed em Europa e Estados Unidos. No entanto, esta é a primeira vez que a metodologia será adaptada às particularidades culturais e socioeconômicas da América Latina. “Estudos globais são consistentes, mas não capturam nuances regionais. Aqui, fatores como segurança psicológica, autonomia e flexibilidade têm impactos distintos conforme a função e a região”, afirma Benevides.
O índice da Natura analisará seis dimensões do bem-estar corporativo: mental (equilíbrio emocional e saúde psicológica), físico (vitalidade e energia), social (qualidade das relações e senso de pertencimento), ambiental (harmonia com o espaço de trabalho e ecossistema), econômico-financeiro (autonomia e gestão financeira) e propósito (conexão entre indivíduo, empresa e impacto positivo).
A primeira fase do projeto utilizará dados já existentes, como pesquisas de engajamento, índices de afastamento e informações psicossociais, antes de iniciar novas coletas de informação. Os resultados preliminares estão previstos para o segundo semestre de 2026, após análises e grupos focais conduzidos por Oxford e pelo RH da Natura.
O projeto integra a Visão 2050 da companhia, reforçando o conceito de liderança regenerativa, que busca gerar prosperidade ampla e sustentável. “Tradicionalmente, o bem-estar recai sobre o indivíduo durma bem, alimente-se bem. Estamos invertendo essa lógica, tornando o bem-estar parte da estratégia corporativa”, destaca Benevides. Estudos indicam que empresas que priorizam o bem-estar de seus colaboradores apresentam desempenho superior, inclusive em índices globais como o S&P 500.
Além do índice, a Natura mantém iniciativas voltadas à saúde integral de seus colaboradores, incluindo o programa Serenamente (suporte em saúde mental e teleterapia), berçário corporativo, telemedicina estendida do Einstein, programa Eleva para aceleração de carreira de profissionais negros, e ações de conscientização sobre diversidade e inclusão.
“Temos bases sólidas, mas queremos avançar para um modelo regenerativo que proporcione retorno mensurável tanto para o negócio quanto para a sociedade”, afirma Benevides. Segundo a executiva, o investimento no projeto é significativo, mas compensador: “Quando a gestão de bem-estar é consistente, gera resultados concretos para o negócio”.
A Natura projeta que a iniciativa coloque a empresa à frente das mudanças globais, respondendo a crises contemporâneas e à crescente preocupação com saúde mental e solidão. “Criar condições para que as pessoas estejam bem consigo mesmas e com o entorno é o verdadeiro ‘bem-estar bem’ e é nele que estamos investindo”, conclui a VP.