De fragrâncias com frasco ergonômico a inovações com IA, a indústria cosmética avança no debate sobre acessibilidade para pessoas com deficiência.
A indústria da beleza está finalmente voltando sua atenção para a acessibilidade e a inclusão, buscando atender aos desafios enfrentados por cerca de 1,3 bilhão de pessoas no mundo que vivem com algum tipo de deficiência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Lançamentos recentes têm movimentado o debate, mostrando que o design inclusivo e a tecnologia adaptada são as chaves para reduzir as lacunas do mercado.
O desafio vai além da aplicação do produto. Pessoas como a influenciadora digital Marina Melo Abreu (com atrofia muscular espinhal) enfrentam dificuldades com embalagens pesadas e tampas de rosquear, enquanto a engenheira Geisa Farini (cega) lida com a falta de acessibilidade em sites e na identificação de cores.
Inovações de Produtos e Tecnologia Adaptada: Grandes grupos e celebridades estão liderando as inovações em design:
• Rare Beauty (Selena Gomez): A marca lançou seu primeiro perfume em um frasco de design inclusivo, com formato ergonômico e borrifador que pode ser apertado com a palma da mão, atendendo a problemas de destreza.
• L’Oréal: Desenvolveu o My Aura, um dispositivo automático de fragrâncias via sensor, e o HAPTA, um aplicador de maquiagem computadorizado para pessoas com tremores ou sequelas de AVC, usando tecnologia adaptada.
• Estée Lauder: Criou o Voice-enabled Makeup Assistant, um assistente de maquiagem com comando de voz por Inteligência Artificial (IA).
No entanto, um relatório da Spate e Future Snoops indica que, embora as marcas com foco em inclusão tenham crescido 1,5 vez mais rápido, 95,1% dos consumidores com deficiência ainda afirmam que não há opções suficientes de beleza acessíveis.
Acessibilidade no Brasil: Da Natura ao Grupo Boticário
No Brasil, onde o IBGE registra 14,4 milhões de pessoas com deficiência, as iniciativas estão ganhando força:
• Natura: Utiliza sistema braille em suas embalagens desde 2013.
• Grupo Boticário: Lançou pincéis acessíveis nas marcas Quem Disse, Berenice? e Make B., com marcação tátil, cabos quadrados e angulação personalizável. Em 2024, apresentou o Batom Inteligente, um protótipo com sensores e algoritmos de IA para auxiliar a aplicação em pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida.
• Stellar Beauty: Introduziu o secador de cabelo mãos livres, que fica em pé, pensado para pessoas que não conseguem segurar o aparelho.
Renata Gomide, VP de marketing do Grupo Boticário, enfatiza que a inclusão é uma “pauta coletiva” que exige consistência e planejamento estruturado. Para que a mudança seja efetiva, a influenciadora Marina Melo Abreu conclui que é essencial que as marcas tenham pessoas com deficiência (PCD) trabalhando em pesquisa e desenvolvimento, garantindo que as inovações cheguem de forma real e representativa aos consumidores.